O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta segunda-feira (19/01), os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Aplicado em 2025, o exame avaliou cerca de 351 cursos de Medicina em todo o país e passou a ser o principal instrumento federal para medir a qualidade da formação médica, substituindo e ampliando o Enade na área.
Coordenado pelo Inep, em parceria com a Ebserh, o Enamed é composto por 100 questões que abrangem áreas essenciais da Medicina, tem aplicação anual e influencia diretamente processos como o Exame Nacional de Residência (Enare).
No cenário nacional, a Bahia se destacou positivamente. Três cursos do estado alcançaram a nota máxima (conceito 5), figurando entre os melhores do Brasil: a Universidade Federal da Bahia (UFBA), campus de Vitória da Conquista; a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), também em Vitória da Conquista; e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), campus de Paulo Afonso.
Por outro lado, o levantamento revelou fragilidades. Dos 26 cursos de Medicina avaliados na Bahia, 12 obtiveram desempenho insatisfatório (nota 2). Entre eles estão instituições localizadas no sul, extremo sul e oeste baiano, como a Unesulbahia, em Eunápolis, a UFSB, em Teixeira de Freitas, e a Uninassau, em Barreiras.
Cursos com notas 1 ou 2 podem sofrer sanções do MEC, como redução de vagas, suspensão de novos ingressos e restrições a programas federais como Fies e Prouni.
A divulgação dos resultados gerou controvérsia. A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentou barrar a publicação dos dados, alegando falhas metodológicas e possível dano às instituições, mas a Justiça negou o pedido.
Especialistas avaliam que o Enamed representa um avanço na transparência e no controle da qualidade da formação médica, ao mesmo tempo em que expõe desigualdades entre cursos e reforça a necessidade de melhorias estruturais, especialmente em estados como a Bahia, onde coexistem excelência acadêmica e deficiências na formação.